1853 - Anália Emília Franco

1853 - Nascimento em 01-02, em Resende, município do RJ.

Contexto histórico: O Brasil império é uma monarquia constitucional e parlamentarista. O parlamento acumula os poderes executivo e legislativo, nos vários níveis de governo, municipal, provincial e nacional. 

1861- Os pais de Anália Franco, Antonio Maria Franco e Tereza Franco, mudaram‐se para São Paulo. 

1868 - Anália Franco  já auxiliava sua mãe no magistério, com ela colaborando em diversos colégios, nas cidades de Guaratinguetá e Jacareí e no arraial Minas, Município de Dois Córregos. 

1871 - Em 12-05 o Visconde de Rio Branco, chefe de gabinete, cargo equivalente ao de “primeiro-ministro”, apostou sua carreira política na Lei do Ventre Livre. A lei foi aprovada pela Assembleia Nacional,e assim  as crianças negras seriam livres ao nascer. Quanto ao Visconde pagou o preço correspondente, sendo liquidado politicamente.


Os proprietários de escravos adotaram a prática de expulsar as crianças negras de suas fazendas, alegando que não tinham porque criá-las posto que eram livres e não lhes prestariam o serviço devido quando adultas. Bandos de crianças negras vagavam esmolando pelas estradas brasileiras,especialmente na província de São Paulo onde a agricultura do café,exigia expressiva mão de obra, solucionada através da escravidão.

1872 - Aprovação de Anália Franco no Concurso de Câmara.

1875 - Depois de ingressar na Escola Nacional Secundária de São Paulo, Anália diplomou‐se professora. Dedicou‐se, desde então, de corpo e alma, ao magistério público, logo se destacando pelo seu alto tino pedagógico e pelo extremado carinho para com os alunos. Não havia prazer maior para ela do que ensinar. Alguns anos depois, fundava na cidade de São Carlos um colégio (internato e externato) de ensino primário e secundário, denominando‐o “Santa Cecília”. Esteve também em Taubaté, onde se iniciou no jornalismo, colaborando ainda nas revistas literárias "A Família", "o Eco das Damas" e "A Mensageira", ao lado Josefina Álvares de Azevedo, Zalina Rolim, Inês Sabino Mirtes, Amélia Carolina da Silva e outras escritoras daquele tempo.

1888 - Lei de abolição da Escravatura

Prós e Contras parte 1 - A fazenda e o movimento Abolicionista

Anália escreveu, apelando para as mulheres fazendeiras. Trocou seu cargo na Capital de São Paulo por outro no Interior, a fim de socorrer as criancinhas necessitadas. Num bairro duma cidade do norte do Estado de S. Paulo conseguiu uma casa para instalar uma escola primária. Uma fazendeira rica lhe cedeu a casa escolar com uma condição, que foi frontalmente repelida por Anália: não deveria haver promiscuidade de crianças brancas e negras.


Diante dessa condição humilhante foi recusada a gratuidade do uso da casa, passando a pagar um aluguel. A fazendeira guardou ressentimento à altivez da professora, porém, naquele local Anália inaugurou a sua primeira e original "Casa Maternal". Começou a receber todas as crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou apanhadas nas moitas e desvios dos caminhos.

A fazendeira, abusando do prestígio político do marido, vendo que a sua casa, embora alugada, se transformara num albergue de negrinhos, resolveu acabar com aquele "escândalo" em sua fazenda. Promoveu diligências junto ao coronel e este conseguiu facilmente a remoção da professora.

Anália foi para a cidade e alugou uma casa velha, pagando de seu bolso o aluguel correspondente à metade do seu ordenado. Como o restante era insuficiente para a alimentação das crianças, não trepidou em ir, pessoalmente, pedir esmolas para a meninada. Partiu de manhã, à pé, levando consigo o grupinho escuro que ela chamava, em seus escritos, de "meus alunos sem mães". Numa folha local anunciou que, ao lado da escola pública, havia um pequeno "abrigo" para as crianças desamparadas. A fama, nem sempre favorável da novel professora, encheu a cidade.

A curiosidade popular tomou-se de espanto, num domingo de festa religiosa. Ela apareceu nas ruas com seus "alunos sem mães", em bando precatório. Moça e magra, modesta e altiva, aquela impressionante figura de mulher, que mendigava para filhos de escravas, tornou-se o escândalo do dia. Era uma mulher perigosa, na opinião de muitos. Seu afastamento da cidade principiou a ser objeto de consideração em rodas políticas, nas farmácias. Mas rugiu a seu favor um grupo de abolicionistas e republicanos, contra o grande grupo de católicos, escravocratas e monarquistas. Com o decorrer do tempo, deixando algumas escolas maternais no Interior, veio para S. Paulo. Aqui entrou brilhantemente para o grupo abolicionista e republicano. Sua missão, porém, não era política. 



1898 - Em 30-04 foi fundada a Revista "Album das Meninas". O artigo de fundo tinha o título "Às mães e educadoras". Seu prestígio no seio do professorado já era grande quando surgiram a abolição da escravatura e a República. 


1899 - Data atribuida a filiação ao espiritismo segundo a obra Revivendo Anália Franco. em 15-11 foi declarada a Proclamação da Republica.

1901 - Criação da instituição Associação Feminina Beneficente e Instrutiva de São Paulo. Destinada, de início, a amparar, instruir e educar as crianças pobres e indigentes da capital paulista, sem qualquer distinção de crença ou raça, essa Associação Feminina teve Anália em sua presidência, de 1901 a 1919.

 Essa Associação acentuava ela, “não visa tão somente a amparar e educar os desvalidos; tem um fim mais elevado, que é reunir em torno de uma idéia santa todas as senhoras de inteligência e boa vontade, para trabalharem de comum acordo no bem social”. Também foi fundado também o Liceu Feminino Noturno na cidade de São Paulo.




A solenidade de inauguração contou com a presença do dr. Bento Bueno, secretário dos Negócios do Interior e da Justiça de São Paulo e de outras personalidades. Aberta uma lista de colaboradores, após dois meses a entidade já contava com mais de duas mil assinaturas.


1902 - Em 25-01 foram inaugurados no Liceu os cursos de formação de professoras maternais ou normalistas. 

1903 - Em 01-03 saía a lume o primeiro número da “Revista da Associação Feminina”, órgão literário e educativo fundado e dirigido por Anália Franco. Através desse periódico, e de um outro – “Álbum das Meninas” ‐, que ela publicava desde 1898, às expensas dos seus modestos honorários, fazia‐se a divulgação e a propaganda dos objetivos humanitários que se tinham em vista, atraindo, com isso, novas colaboradoras para a obra. 

1903 Parte 2 - Concretizando um sonho de muitos anos, Anália Franco criava, afinal,  um Asilo‐Creche, o primeiro de outros futuros, espalhados por diversas cidades. Nessa nova organização, eram amparadas as viúvas, as mães abandonadas e seus filhos, os órfãos em geral, etc. Com o correr do tempo, Anália ali montaria oficinas de tipografia, de costura, de flores artificiais, de chapéus, bem como daria aulas de musica, de escrituração mercantil, etc.



1903 Parte 3, A continuação da missão!!! - Pelo espaço de quinze anos, Anália dirigiu a revista “A Voz Maternal”, por ela mesma fundada  no ano em questão. Era impressa por um grupo de asiladas e chegou a ter a tiragem mensal de 6.000 exemplares, bem grande para a época. Nas páginas desse periódico ela não se cansava de falar à alma feminina, despertando‐lhe o interesse pelas questões sociais, máxime para o impostergável problema da alfabetização e educação da criança.



1906 - devido a grandes dificuldades financeiras, Anália Franco abria o “Bazar da Caridade”, para a venda ao público dos trabalhados manufaturados no Asilo. Um pouco mais tarde, após passar essa fase de desequilíbrio, Anália Franco adquiriu, a baixo preço, em prestações, uma fazenda situada no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, e ali instalou a Colônia Regeneradora “D.Romualdo”. Esta colônia abrigou, a princípio, mulheres arrependidas, nelas se incutindo as virtudes que esclarecem e o amor ao trabalho, preparando‐as, através de diferentes ofícios ministrados por professoras especializadas, para vencerem dignamente na vida. Dessa casa benfazeja, saíram centenas de criaturas regeneradas, e ali se organizou excelente Grupo Dramático Musical e uma Orquestra. 



Moça de beleza sóbria, sempre foi independente, dizia que nunca se casaria. Seu pai recebia frequentemente pretendentes à mão da filha. Ela, delicadamente, recusava. Porém, o destino lhe reservava um grande amor. Casou-se aos cinquenta e três anos, com Francisco Antonio Bastos, que atuou como guarda-livros da Associação Feminina Beneficente e Instrutiva do Estado de São Paulo (AFBIESP).



1907 - Seis anos depois de fundada essa Instituição já mantinha e orientava 22 escolas maternais e 2 noturnas, só na capital paulista, enquanto cinco escolas maternais funcionavam no interior do Estado bandeirante. Todas ministravam a instrução e a educação a cerca de 2.000 crianças pobres. Afora isso, estava em pleno funcionamento um Liceu Feminino Noturno na cidade de São Paulo, com uma freqüência de mais de 100 alunas, e outro em Santos.



Prós e Contras Parte 2 - O embate entre as imprensas

A grande benfeitora encontrou sempre a defesa esclarecida, justa e espontânea, por parte da imprensa digna, quer da capital e cidades do interior do Estado de São Paulo, quer de outros Estados do Brasil. Na capital paulista, podemos citar “O Estado de São Paulo”, o “Correio Paulistano”, “O Comércio”, o “Diário Popular”, a “Platéia”, etc.; em Santos, a “Tribuna de Santos”; em Ribeirão Preto, o “Diário da Manhã” e a “Cooperação”; em Jaú, “O Correio de Jaú”; em Dois Córregos, “A Republica” e “O Bandeirante”; e assim por diante. 

Seu apelo, ouvido por muitas distintas damas da sociedade brasileira, permitiu‐lhe multiplicar o número de escolas, asilos e creches depois de muitos anos de trabalho. No Estado de São Paulo trabalharam, com entusiasmo, os espíritos operosos e inteligentes de Eunice Caldas, Clélia Rocha, Rosina Nogueira Soares e um sem número de outras dedicadas cooperadoras; no Rio Grande do Sul, destacou‐se a esforçada propagandista Andradina de Oliveira, poetisa de grandes méritos; em Santa Catarina, Maria Marta Hoffman, senhora altamente humanitária, doou uma chácara de sua propriedade à primeira escola maternal ali instalada; em Minas Gerais, sobressaiu a educadora Vicencinha Scoles; e, pelos Estados afora, surgiam zelosas senhoras em apoio ao movimento dirigido pela valorosa missionária.

Alguns jornais católicos, sabendo que Anália Franco era espírita, não poupavam a ela e à sua obra criticas mordazes. O órgão católico “São Paulo”, da cidade de mesmo nome, atacava de rijo a “Associação Feminina”, dizendo que aí a caridade era um embuste e que os católicos não podiam concorrer para a fundação e manutenção das Escolas Maternais, “em extremo perigosas para os sentimentos religiosos das crianças”. Em defesa da Instituição e sua fundadora, contra as inverdades propaladas pelo clero, levantaram‐se vários órgãos da imprensa leiga, como “O Correio de Jaú” e o “Atibaiense”.

1914 - Criação da Liga Educativa Maria de Nazaré, destinada a auxiliar, nas localidades do interior do Estado de São Paulo, as escolas maternais, creches, asilos e colônias fundadas pela Associação Feminina Beneficente e Instrutiva.

1919 - Desencarne por gripe espanhola. Cabe ressaltar que o mundo estava passando pelo surto de gripe desde 1918, que assolou muitos dos assistidos das instutuições onde Anália atuava. Ela e o marido ajudavam pessoalmente no cuidado dos pacientes. 

O Legado - A vasta sementeira de Anália Franco consistiu em 71 Escolas, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 Banda Musical Feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dramático, além de oficinas para manufatura de chapéus, flores artificiais, etc., em 24 cidades do Interior e da Capital.


Publicação de pós graduação sobre revista "Album das Meninas"

Biografia União Espírita Mineira

Biografia Febnet.org

Biografia wikipedia

Matéria site Mundo Espírita

Pós graduação Elaine de Crhisto de Oliveira







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